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Oftalmologia Alto de Pinheiros

Visão da criança com síndrome de Down: 5 diferenças que os pais precisam conhecer

Dra. Christiane Sciammarella Wakisaka Oftalmologista e Oftalmopediatra · CRM 75.580 · RQE 41.563 · · 4 min de leitura
Dra. Christiane explica a visão da criança com síndrome de Down

Quando uma família recebe o diagnóstico de síndrome de Down, surgem muitas perguntas. Uma das mais frequentes entre os pais é sobre a visão da criança com síndrome de Down. Afinal, existe diferença em relação a uma criança que não tem a síndrome? A resposta é sim, e entender essas diferenças faz toda a diferença no desenvolvimento do seu filho.

A Dra. Christiane Sciammarella Wakisaka (CRM: 75.580 | RQE: 41.563), oftalmologista e oftalmopediatra, explica no vídeo abaixo quais são as 5 principais diferenças na visão de pacientes com síndrome de Down e o que os pais podem fazer no dia a dia.

1. Acuidade visual menor em crianças com sindrome de down

A acuidade visual é a capacidade de enxergar detalhes finos, ou seja, o menor tamanho que o olho consegue distinguir. No vídeo, a Dra. Christiane mostra uma tabela usada para medir essa capacidade e explica que o parâmetro de satisfação para uma criança com síndrome de Down é diferente.

Na prática, enquanto uma criança sem a síndrome pode alcançar uma acuidade mais alta (distinguir letras ou figuras menores), a criança com síndrome de Down costuma alcançar um patamar inferior. Isso não significa que ela “não enxerga”, mas sim que o oftalmopediatra precisa avaliar com critérios específicos para essa população.

Por isso, o exame oftalmológico deve começar ainda no primeiro ano de vida. Identificar essa diferença cedo permite ajustar as expectativas e iniciar as correções necessárias.

2. Dificuldade em perceber contrastes

Outro ponto destacado no vídeo é a percepção de contrastes. Contraste é a capacidade de distinguir uma imagem em relação ao seu fundo. Pense em uma letra cinza-claro sobre um fundo branco: para muitas crianças com síndrome de Down, essa distinção é mais difícil.

A Dra. Christiane explica que imagens muito sutis, “nevoadas”, com bordas suaves, são particularmente desafiadoras. Sendo assim, esse é um fator que os pais devem considerar ao escolher materiais de estímulo visual e ao organizar o ambiente da criança.

3. Cores pastéis são mais difíceis de enxergar

Esse ponto está diretamente ligado ao anterior. No vídeo, a Dra. Christiane mostra como é mais fácil perceber as linhas de cima de uma tabela (com mais contraste) do que as de baixo (em tons mais suaves). Para a criança com síndrome de Down, essa diferença é ainda mais acentuada.

A orientação prática é clara: use sempre brinquedos e estímulos visuais com cores intensas, bem saturadas e com formas bem definidas. Cores pastéis e tons desbotados exigem um nível de percepção que pode ser limitado nessas crianças. Inclusive, adaptar o ambiente com cores vibrantes favorece o desenvolvimento visual desde os primeiros meses.

4. Dificuldade de focalizar de perto

Essa é a particularidade que mais surpreende os pais. A Dra. Christiane explica no vídeo que a criança com síndrome de Down pode ter dificuldade de acomodação, a capacidade do olho de ajustar o foco para enxergar de perto. É como se ela nascesse com a mesma limitação de um adulto de 40 anos, quando começa a presbiopia (a famosa “vista cansada”).

Na prática, uma pessoa jovem consegue trazer um objeto bem pertinho e focalizar sem problemas. Com o envelhecimento, esse ponto vai se afastando. A criança com síndrome de Down já nasce com essa limitação, e portanto precisa de óculos diferentes para perto e para longe.

Essa correção é fundamental para atividades como manipular brinquedos, folhear livros e qualquer interação com objetos próximos. Sem os óculos adequados, a criança pode perder estímulos importantes para o seu desenvolvimento.

5. Erros refracionais mais frequentes

Além da dificuldade de acomodação, os erros refracionais, como miopia, hipermetropia e astigmatismo, são mais comuns em pacientes com síndrome de Down. De acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), hipermetropia e astigmatismo são os mais frequentes, embora a miopia também ocorra.

Dessa forma, o acompanhamento oftalmológico regular é essencial para identificar e corrigir esses problemas cedo, antes que prejudiquem o aprendizado e o desenvolvimento da criança.

Outras alterações oculares comuns na síndrome de Down

Além das 5 diferenças abordadas no vídeo, a SBOP aponta que entre 20% e 60% dos indivíduos com síndrome de Down apresentam estrabismo (desalinhamento dos olhos). Outras condições com incidência maior nessa população incluem:

Ambliopia (olho preguiçoso), geralmente ligada a erros refracionais não corrigidos

Ceratocone, que costuma ser diagnosticado próximo à puberdade

Catarata, que pode ser congênita ou adquirida

Nistagmo, que são movimentos involuntários dos olhos

No entanto, a boa notícia é que a maioria dessas condições pode ser tratada quando identificada precocemente. O monitoramento oftalmológico deve começar no primeiro ano de vida e ser periódico ao longo da infância e adolescência.

Quando procurar um oftalmopediatra

Se o seu filho tem síndrome de Down e ainda não passou por uma avaliação oftalmológica completa, ou se a última consulta foi há mais de 1 ano, o momento de agendar é agora. O acompanhamento regular é a forma mais segura de garantir que a visão do seu filho esteja recebendo a atenção necessária. Clique aqui e agende sua consulta.

Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico e a conduta em cada caso dependem de avaliação individual.

Seu filho já passou por um oftalmopediatra?

Mesmo sem nenhum sinal, a consulta de rotina é o que pega os casos silenciosos — muitas alterações da visão infantil não dão sintomas que os pais percebam.

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